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Sem remédio

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Quando vamos crescendo, começamos a entender algumas coisas. Por exemplo, por volta dos meus 8 anos todos falavam que sentiam dor de cabeça e eu não tinha a mínima noção de como era isso. Certo dia decidi falar que estava com essa tal dor porque pensei que era simples; teve direito a mão na testa e tudo. Porém, não foi aí que eu descobri como era sentir dor de cabeça, essa descoberta veio uns anos depois, quando eu entendi o verdadeiro sentido daquilo: uma dor chata e incômoda, que não vemos a hora de parar!
Daí, por volta dos 11, eu tinha certeza que as discussões com amigas me faziam sentir raiva. E dizia de boca cheia: “Estou com raiva dela!”, com todas as certezas do mundo. Mas uns anos depois eu fui descobrir que a raiva é mais forte que aquilo, que raiva de verdade nos faz ter vontade de agarrar no pescoço de alguém e gritar com a pessoa até fazer ela parar.
Um tempinho depois, me deparei com meio mundo reclamando de cólicas. Mas que raio é isso? Não fazia a mínima ideia, mas não me arrisquei a inventar, não, porque as pessoas costumavam reclamar mais de cólicas do que da dor de cabeça. E um tempo depois eu descobri porquê…
Continuei crescendo, ouvia as pessoas dizendo que estavam com saudade das outras e pensava que aquilo era simples. Mas aí… aí eu cresci. E descobrir o que é a saudade foi pior do que descobrir o que é dor de cabeça, porque não tem remédio na farmácia. Além disso, descobri que a saudade se subdivide: Tem a saudade de gente que não volta, que é quando lembramos de coisas boas e, infelizmente, nos acostumamos com esse ciclo que acontece com todos. O problema todo é quando a gente bate de frente com aquela subdivisão da saudade que não sabemos lidar. É diferente da outra, porque sabemos que uma hora vamos rever a pessoa e aquilo vai passar, mas também porque não sabemos o que fazer até que isso aconteça. Contar os segundos não é uma boa opção e lembrar das coisas boas só aumenta a vontade de sair correndo. Tentamos viver sem lembrar, então é nessa hora que começamos a entender: a saudade só é saudade mesmo quando você não consegue ficar sem lembrar de certo alguém. E mesmo que você não esteja lembrando dela, de fato, a pessoa tá ali como plano de fundo do pensamento. Entende? Papel de parede tá ali no seu quarto, e a qualquer momento você dá de cara com ele. Pessoa como plano de fundo do pensamento tá ali, abraçando todos os outros pensamentos para que na primeira oportunidade você se lembre dela. Talvez seja um dos motivos pra que não seja possível descrever; talvez o nó na garganta, a vontade de gritar, de inventar uma máquina de teletransporte ou um acelerador de tempo consigam dar uma vaga idéia. Mas descrever de verdade, não dá. Podem escrever muitos textos sobre, podem compor quantas músicas quiserem. Porém, saudade é igual dor de cabeça e cólica: Ninguém consegue entender até sentir. E no momento eu tô sentindo. Tá doendo, até, mas infelizmente não inventaram atroveran pra isso.

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